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A consolidação da indústria e sua arte.

Os produtos das indústrias foram introduzidos de tal forma, que passou e estar presente no dia a dia dos cidadãos que compunham a sociedade e sua presença era visivelmente notável nas paisagens e ambientes desta. Distintivamente dos de produção artesanal, os artefatos produzidos industrialmente não eram dotados de nenhuma personalidade ou especificidade que imprimisse a mão de um artista por trás de sua criação, uma vez que eram produzidos por máquinas cujo o processo é marcado pela repetição e precisão. “A natureza exata desse processo de design é infinitamente variada e portanto difícil de resumir numa simples fórmula ou definição. Pode ser o trabalho de uma pessoa ou de uma equipe trabalhando em cooperação; pode surgir de um surto de intuição criativa ou de um juízo calculado baseado em dados técnicos e pesquisa de mercado ou até mesmo, como sustentam alguns designers, ser determinado pelo gosto da mulher de um gerente administrativo. Restrições ou oportunidades podem ser fornecidas, entre outros fatores, por decisões comerciais ou políticas, pelo contexto organizacional em que um designer trabalha, pelo estado do material disponível e pelas instalações de produção ou por conceitos sociais e estéticos predominantes: a variedade de condições possíveis é imensa.” (HESKETT, 1998, pg. 10). Tal processo, era também algo propositalmente separado da concepção desses objetos. “[...] o desenho industrial é um processo de criação, invenção e definição separado dos meios de produção. Ele envolve uma síntese final de fatores contributivos e muitas vezes conflitantes numa concepção de forma tridimensional e na sua realidade material passível de reprodução múltipla dos meios mecânicos.” (HESKETT, 1998, pg. 10). Tais inovações ganharam espaço graças a Primeira Revolução Industrial, que foi o pontapé inicial para o desenvolvimento da indústria e seus mecanismos de funcionamento. O ato de separação do Design e produção, no entanto, foi algo que se estabeleceu muito antes, com a transição de modelos de poder e busca pelo atendimento de uma classe que ditava os ideais da época, além de possuírem influência política. Como, por exemplo, o caso da porcelana. Graças a este contexto, os produtos de produção artesanal; e por conseguinte, de maior valor artístico, foram encarecendo cada vez mais, de forma com que poucos pudessem consumi-lo, também por conta dos materiais nobres com os quais eram confeccionados, além de serem feitas poucas unidades, de produção manual, o que lhes conferiam um alto valor de unicidade. É ainda nesse contexto que os artigos frutos de produção industrial ganham espaço, uma vez que os donos de indústria foram lapidando a produção de forma com que atendessem a um maior número de pessoas, com materiais e produção de baixo custo, o que também reduzia o preço do produto no mercado, tornando-os acessíveis. A intenção era vender o quanto fosse possível, o que demandou preocupação em agradar o consumidor, ao fornecer produtos tão bonitos quanto os artesanais, mas por um baixo custo. Para isto, designers forneciam livros com diversos modelos para serem replicados, os quais a indústria produzia e vendia em larga escala. Tais facilidades, fizeram com que a classe média consumisse em peso e ter tais artefatos fosse um sinônimo de status, difundindo e estabelecendo esse novo modelo e seus frutos. Em contrapartida, designers e artesãos negavam todos os benefícios trazidos, uma vez que ia de encontro a todo padrão que prevalecia até então, especialmente também, por conta da relação controversa entre estes e os donos de indústria, visto que essa eventualmente se tornou independente.

Anos mais tarde, era dado início a busca pela harmonia entre o estético e o visual, com ambos os lados em constante desacordo. Por um lado, era refutado o aspecto estético no produto industrial e o “condenavam” por isto, por outro, os engenheiros e alguns designers reforçavam a necessidade de que aquele produto fosse útil, em detrimento de visual. “A Revolução Industrial não só transformou o artesanato tradicional, mas, com o aumento das inovações técnicas, fez surgir muitas novas indústrias que aplicavam processos mecanizados à produção de uma série de formas novas.” (HESKETT, 1998, pg. 27). Nesse período, muitos engenheiros ocupavam o meio industrial e sua preocupação residia em atingir o máximo de utilidade que aquele produto poderia atingir e por isso não haveria espaço para qualquer mudança que diminuísse esse resultado. “Em contraste com os extremos irreconciliáveis da estética e da especialidade utilitária, os escritos do arquiteto alemão Gottfried Semper definiram uma teoria estética que aceitava a inevitabilidade da industrialização e confrontava os problemas da inter-relação entre arte e indústria.” (HESKETT, 1998, pg. 27). A partir daí, começa-se uma discussão que perdura alguns anos, a respeito do consenso entre de arte e indústria. Na qual é proposto a criação de um novo estilo que abrigasse a ambos os aspectos de forma satisfatória, e que, para isso, seria necessário desapegar de antigos modelos, os tendo em vista apenas como inspiração para o novo. Nesse processo, chegou a concluir que um ideal, os materiais e meios de produção inferiam bastante no estabelecimento de um estilo. Era almejado que esses artefatos e utilitários fossem peças atemporais e funcionais, com formas que favorecessem sua função. “O progresso da tecnologia industrial dependia do desenvolvimento de precisão e tolerâncias mais finas, no que a matemática era uma ferramenta básica, e a geometria fornecia a forma tridi­mensional em que a precisão necessária poderia ser obtida.” (HESKETT, 1998, pg. 28). Foi esse contexto que abriu precedentes para a entrada de diversos estilos, que acompanhavam a dicotomia que o debate seguia. Nisto, vieram as ferrovias, trens, transportes marítimos e diversas outras máquinas que sofreram modificações concomitantemente a necessidade. Um adendo que pode ser acrescentado é a aerodinâmica, fator crucial aplicado esses meios de transportes e que abrigavam bem a questão da estética e funcionalidade de forma harmônica e exemplifica bem o “resultado” das discussões que acompanharam a criação destes aparatos. Posteriormente, ainda haveria muitos inventos contraditórios, mas essa “solução” de harmonia, ganharia cada vez mais força entre o meio.

Referências:

HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasilia: José Olympio, 1998

Ficha Técnica:

Texto desenvolvido por Mariana Gonçalves Batista Rique para a disciplina Introdução ao Estudo do Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).

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