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Os impactos, na atualidade, da mecanização do trabalho e dos meios de consumo nos âmbitos artístico e do design

A revolução industrial foi um marco tocante aos meios de fabricação, mudando a forma de produção e de consumo da época. Muitos dos frutos plantados no século XVII são colhidos na atualidade, um deles é a forma do relacionamento entre o objeto consumido e seu significado conceitual. Segundo a linha de pensamento de Ernst Gombrich, apresentada em sua obra A história da arte, de 1950, a arte não pode ser visualizada por apenas uma ótica, pois várias circunstâncias podem alterar a percepção do indivíduo sobre o objeto em questão, tal como a cultura. Dessa forma se tem a relação entre a cultura de massa, advinda do processo de globalização, os meios de fabricação e a forma de consumo.

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Com o decorrer da globalização, a relação entre a sociedade e o consumo são estreitadas cada vez mais, tendo como símbolo os anos de 1950, onde a indústria norte americana teve uma expansão na publicidade e propaganda com o American way of life, onde a  uniformização de produtos e o apreço pelo padrão foram acentuados. Dessa forma, a mecanização dos meios de produção ganhou mérito, tendo em vista isso, os próprios objetos passaram a possuir um mesmo estilo, evidenciando uma padronização.

“A expansão constante do comércio e das oportunidades comerciais, entretanto, e o aumento de tamanho das unidades de produção criaram pressões competitivas que, por sua vez, levaram a uma demanda de inovação e de algum traço ou aspecto característico de artesanato que diferencia-se um produto e atrai o interesse dos consumidores.” (HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasília: José Olympio, 1998- página 11)

A necessidade de inovação e diferenciação são fomentadas cada vez mais dentro da atual sociedade, pois essa é uma das formas de se expressar, adicionando conceitos e análises críticas sobre o que se está consumindo. Porém, a grande massa de consumidores têm dificuldade na aquisição de tais produtos, tendo em vista que, para eles, existe uma produção em larga escala, onde se acentua a sistematização e diferenciação das formas de consumo. Além do mais, a forma de aquisição sobre tais objetos é outro ponto a se considerar, dando ênfase para o poder aquisitivo, que dessa maneira enfatiza as diferenças da classe social.

“A sociedade do consumo representa o tipo de sociedade que promove, encoraja ou reforça a escolha de um estilo de vida e uma estratégia existencial consumista, e rejeita todas as opções culturais alternativas” (BAUMAN, Zygmunt. A sociedade do consumo, 2008 p. 71).

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No âmbito do design, no que se diz respeito a mecanização na fabricação de objetos, se pode analisar a repetição de formas e como isso está relacionado a valorização de um padrão de vida. Ao ponto que o design tem em vista alcançar diversos públicos e sanar as necessidades, na sociedade atual vemos uma disparidade na execução desse conceito. Tendo em vista as urgências do mercado em lucrar, muitas vezes objetos são aprovados sem inovação de design, fomentando a indústria, porém saturando o mercado. 

AUTOR: Nicolás Vargas 

Referências:

 

GOMBRICH, Ernst. A história da arte- 1950

HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasília: José Olympio, 1998

BAUMAN, Zygmunt. A sociedade do consumo, 2008

Ficha Técnica: 

Texto desenvolvido por Beatriz Xavier Costa para a disciplina Introdução ao Estudo do Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com)

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