Industrialização: o desenvolvimento do meio de transporte conhecido como bicicleta

“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro.”, a frase de Heródoto, considerado, por muitos o pai da História, é bastante utilizada nos tempos hodiernos, afinal, é através dos nossos ancestrais que podemos compreender a sociedade como é hoje. Para melhor entendermos essa fala, vamos voltar no tempo e falar sobre como o corpo social se desenvolveu no campo do transporte em ciclovias e como a industrialização impulsionou esse processo.
Primeiramente, vale questionar a razão de ocorrerem pesquisas “O que leva o homem a passar horas, dias, meses e anos a pesquisar vorazmente por algo?” Acredito que a resposta mais lógica seria a “necessidade” e o surgimento da bicicleta também seguiu essa ideia, afinal, os seres humanos sempre buscaram por formas de facilitar seu dia a dia e as formas de transporte era um desses estudos em meio a 1 Revolução industrial, ou seja, um período em que as pesquisas com máquinas cresciam.


Mesmo com alguns casos raros relatados de pequenos veículos de três ou quatro rodas, ou até mesmo caso do relojoeiro alemão Stephan Farffler - que era paraplégico, responsável por criar para si, em 1680, uma cadeira de rodas de propulsão por alavanca manual -, só é considerada “história da bicicleta” a partir da invenção do Conde Méde de Sivrac, na França, em aproximadamente 1790, o “celerífero”. Este era feito com madeira e era constituído por duas rodas unidas a apenas a uma viga de apoio. Você não compreendeu errado, não tinha pedais ou guidão e o usuário se locomovia pela força das pernas, tendo as rodas como um facilitador de locomoção e descanso, podemos nos relembrar dos veículos do desenho animado “os flintstones”.
Baseada no celerífero do Conde Méde de Sivrac, a “Draisiana” foi um dos presentes logo no início do século XIX (1817). O engenheiro Karl Von Drais pode ser considerado o inventor da bicicleta, pois veio de si o sistema de direção, possibilitando curvas e melhor equilíbrio, além de trazer também um rudimentar sistema de freio e um ajuste na altura do selim (facilitando o uso para pessoas de diferentes estaturas e até versões infantis. Vendo potencial em seu produto, o conde passou a viajar pela Europa para mostra-lo, contudo, sua falta de capacidade em vendas o levou a falência e ridicularização.
Algumas décadas depois, em 1855, com o surgimento de uma roda dianteira, o carroceiro francês Pierre Michaux e seu filho Ernest Michaux redesenharam o modelo em cima de uma “Draisiana”, que recebida para conserto, e esse novo produto foi chamado de “velocípede” Pierre teve tanto orgulho de sua criação que em um ato de esperteza deu um de seus velocípedes para o filho de Napoleão III, abrindo as portas para a comercialização de sua invenção. Hoje sabe-se que houveram bicicletas e velocípedes com pedais anteriores à Michaux.A Segunda Revolução Industrial chamou ainda mais atenção para esses produtos, por perceberem a importância de um veiculo menor e mais barato na produção e vendas. Em 1868 um biciclo Michaux chega a Inglaterra e James Starley decidiu repensar este biciclo, criando um novo modelo. Em sua construção tinha aço, roda raiada, pneus em borracha maciça e um novo sistema de freios. Sua grande roda na frente tinha aproximadamente 125cm. Em 1870 o modelo foi pateteado quando Starley funda a marca “Ariel”, colocando seus biciclos a venda por 8 libras, preço não muito acessível.


Os primeiros veículos individuais ou de família foram os chamados “sociáveis” e eram novas variações tendo de uma a quatro rodas, funcionando com a pessoa usando só ou em dupla. Em alguns anos ele se tornou viável para boa parte da sociedade urbana. Por exigirem pouca manutenção, espaço e dinheiro. “O sucesso da bicicleta ‘segura’ exigiu uma combinação ideal de eficiência mecânica, leveza e durabilidade e essas exigências tinham de ser compatíveis com a facilidade de fabricação.” (HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasilia: José Olympio, 1998, página 42), com os problemas de dos outros veículos, foi surgindo a necessidade de criar algo mais seguro, trazendo o surgimento da “bicicleta de segurança”. Agora as rodas da bicicleta iriam possuir mesmo tamanho, facilitando em sua produção, transporte, barateamento do produto, sendo transformado em um transporte de massa global.

Dando uma pulada no tempo e se localizando agora nos Estados Unidos da década de 60, devemos lembrar que o país depois da Segunda Guerra Mundial foi de extrema importância para a explosão da cultura do automóvel, ou seja, nesse período o foco do mercado eram os carros, os famosos “veículos de longa distância” levando as bicicletas a serem ofuscadas, até mesmo entre crianças. Essa situação começa a mudar por conta do movimento contracultura da década de 60 e a crise do petróleo no inicio dos anos 70. Como forma de tentar resolver isso, foi criado então as políticas pros ciclistas, sendo vendidas agora como antidoto ao mundo motorizado, um meio de cuidado a saúde e ao meio ambiente, uma forma de diversão não só para crianças, mas algo que poderia ser feito com a família inteira. Não obstante, foram necessárias pesquisas – ainda vista como exemplo e norte para profissionais da área-, para entender abaixa popularidade da bicicleta e foi percebida sua baixa qualidade, sua dificuldade em estacionar, facilidade de roubo, além da falta de segurança no trânsito. Esses dados possibilitaram uma grande evolução da bicicleta nos anos 80, como o caso das famosas “BMX”, as clássicas bicicletas dos filmes da época e a “Montain bike”, que trazia ali diversão em montanha entre os jovens e até competições. Estes mostram o foco em atrair o público juvenil enquanto estudam formas de melhorar o produto. Sua qualidade não melhorou de forma rápida, mas sim de forma gradativa, já que o foco das indústrias ainda precisava ser a evolução dos meios de transporte a longa distância.


“Esse caráter monofuncional tornou-a um dos exemplos adequados da equação entre forma e função[...]” (HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasilia: José Olympio, 1998, página 42). Hodiernamente, é perceptível a grande variedade de tipos de bicicletas e suas diferente funções, afinal, hoje esses produtos se encontram muito acessíveis, com maior desenvolvimento e tentando atrair diferentes tipos de pessoas, porém ainda não possuem seu espaço adequado, como no caso da falta de ciclovias no Brasil, levando a constantes e mais uma vez levantando a insegurança entre ciclistas.
Referências:
HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasilia: José Olympio, 1998
Pedalando (nem sempre) pela história: como surgiu a bicicleta | Mobikers
A História da Bicicleta no Mundo - Escola de Bicicleta
Ficha Técnica - Texto desenvolvido por Radigia Vitoria de Macêdo Dias para a disciplina Introdução ao Estudo do Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022.
O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).
