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Vidro, arte e design: dos fenícios aos industriais para a produção em massa

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Figura 2: Vidro romano

Descoberto pelos fenícios por volta de 5000 a.C de maneira acidental, o fogo com areia e o nitrato de sódio se transformaram em um líquido transparente, o vidro.  Com os romanos, por volta de 100 a.C, surgiram as técnicas de sopro e molde, anos depois, em 300 d.C o imperador Constantino passou a cobrar impostos aos vidraceiros devido a grande lucratividade. Séculos depois a produção do vidro se concentrou em Veneza, tendo sua grande expansão tornando-os famosos por suas técnicas, entretanto o governo passou a proibir a saída de venezianos produtores para o estrangeiro, a fim de ter um maior controle, transformando a ilha de Murano no centro da produção de vidros, entretanto houveram fugas destes produtores para a Alemanha e logo a produção vidreira  floresceu por toda Europa;  o vidro esmaltado, foi um exemplo clássico de meio de reprodução de desenhos famosos no país germânico.

O vidro é um dos materiais mais populares do mercado, estando em todos os ramos, desde a farmacêutica até a arquitetura.

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Figura 1: Gota de vidro sendo preparada para o artesanato 

O passar dos séculos fez com que o vidro conquistasse mercado e técnicas foram apresentadas para novos processos de fabricação. Com a revolução industrial iniciada na Inglaterra várias matérias primas tiveram seu impulso para a produção em massa, contudo o vidro tornou-se um caso à parte já que seu impacto só foi iniciado a partir do final do século XIX com a transformação industrial, mesmo com o seu sucesso centenário no mercado.

“ecletismo comercial e de design semelhante, nas indústrias de vidro, que cresceram em tamanho e produção no mesmo período (da cerâmica). O impacto da inovação técnica foi menos marcante até a indústria começar a se transformar radicalmente nas últimas décadas do século XIX. As técnicas tradicionais do sopro, corte e gravação ainda eram um estímulo ao alto nível de habilidade artesanal” (Desenho Industrial, HESKETT, 1998, pagina 46 .

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Figura 3: Duas antigas galhetas inglesas, século XIX, em vidro e metal prateado.

As técnicas, que antes era artesanal, tem uma mudança com as novas inovações de produção e de formas, como a de técnica em soprar moldes que possibilitou a produção de garrafas a preço baixo, e a de prensagem em vidros criada pelos Estados Unidos em 1820, mas logo se espalhou pela Europa.

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Figura 4:Floreira art nouveau em bronze dourado, Alemanha - 1900.

Todavia o método de produção ainda mostrava um limitante, só podia ser empregado em formas abertas –jarros, travessas. Surgiu como solução o vidro rendilhado, uma técnica de decoração, pois a superfície ficava rugosa e fosca reluzente, o novo procedimento utilizava pontos e pontilhados virando um estilo.

O vidro e seus produtos caíram no gosto popular, multiplicando a quantidade de companhias de vidro existentes e novos designs foram criados para uma maior variedade ao público, Apesar do processo industrial havia ainda algumas empresas que permaneciam com o artesanal para algumas funções ou detalhes.

A era industrial veio cheia de consequências, entre elas para o design, com a produção em massa as indústrias ainda tinham influências dos movimentos vanguardistas da época, as decorações exuberantes e cheias de detalhes eram uma das principais características –observado principalmente nas peças cerâmicas. Críticos a esses estilos surgiram, principalmente da área do design. Mais tarde, em 1919 surge a Bauhaus escola que revolucionou o design da época, um dos meios foi com suas oficinas que ofereciam uma maior autonomia aos alunos sem que fossem influenciado por estilos pré existentes, que dentre elas estava a de vidro ensinada pelo artista plástico Josef Albers. Entretanto o mais marcante projeto foi na arquitetura com vidros e esquadrias, com ampla projeção e formas de iluminação e valorização dos imóveis, um exemplo foi a sede da Bauhaus em Dessau. Essa influência perpetua-se até hoje.

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Figura 5:Prédio de três andares da Bauhaus em Dessau, na Alemanha.

Os produtos e itens de decoração derivados do vidro se encontravam em todos os lugares, seja nos frascos farmacêuticos, nos utensílios domésticos, nas garrafas de bebidas, lustres, janelas e entre outros itens

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Figura 6

O vidro continuou se transformando, novas técnicas foram adaptadas e o produto foi reinventando as novas tendências.  Sua versatilidade é a principal característica, o vidro apesar de ser um material barato em comparação a outros, demonstra uma elegância aos seus artigos,na arquitetura trazendo a claridade; já na decoração ele demonstra neutralidade a qualquer ambiente e suas variações, cores e texturas, abrangem seus modos de utilização

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“Gostamos do vidro por sua leveza e transparência: essas características permitem que os objetos decorativos e utilitários feitos do material se combinem a diferentes peças e integrem estilos variados de decoração com harmonia” - Beto Galvez, decorador, e Nórea de Vitto, arquiteta, em entrevista para revista Vogue.

Sendo um dos “queridinhos” do cenário contemporâneo, o vidro também é um material reciclável, fato que emprega sua valorização em tempos de uma maior conscientização ambiental.

Figura 7: Garrafas Cylinder

“A versatilidade que ele proporciona é tudo: mais transparências, mais alegria, menos solidão” diz a designer italiana Cini Boeri. 

É fato que o vidro é um material importante na produção industrial e artística desde séculos passados, abrangendo todos os mercados. Todavia o embelezamento e a estética do vidro também é marcante com o passar da história. Durante a produção de vidro no antigo Egito o material era tão importante que os vidros naturais foram encontrados nas tumbas dos faraós. Na era medieval os vitrais das grandes capelas e catedrais encontrados na França e Alemanha  eram um tipo de arte, já que muitos apresentavam cenas e estilos de sua época, sendo assim um meio de estudo tanto religioso quanto artístico. Durante a renascença há o início da produção do vidro cristal, são outro exemplos de artes no vidro, esse é um tipo mais fino e que atualmente está relacionado a itens de luxo pela sua complexidade de produção.  

Vê-se então a complexidade do vidro como uma matéria prima para novas criações artísticas e funcionais. Um produto tão comum que trouxe com o tempo um maneira de correlacionar períodos dos históricos, demonstrando arte, técnica e utilidade, em geral o design antes mesmo de se saber o que era design

Referências:

Uma breve historia do vidro. Por Felipe, 19 jan.2016. Fontes:Companhia Vidraria Santa Marina – O Vidro na Arquitetura – 12/1993; Universidade de São Paulo – Depto. de Tecnologia – A História do Vidro; http://vidrosiguatemi.com.br/uma-breve-historia-do-vidro/

 

Vidro o material do momento. Por Liége Copstein , publicado em 22 mar 2016; https://casaclaudia.abril.com.br/moveis-acessorios/vidro-14-pecas-de-design-com-o-material-do-momento/

Vidros. Por Oswaldo Luiz Alves, Iara de Fátima Gimenez e Italo Odone Mazali, Edição especial – FEVEREIRO 2001; https://lqes.iqm.unicamp.br/images/pontos_vista_artigo_divulgacao_vidros.pdf

HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasilia: José Olympio, 1998

Ficha Técnica: 

Texto desenvolvido por Maria Letícia Lopes Ferreira para a disciplina Introdução ao Estudo do Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).

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