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Arte e indústria: como a arte foi afetado pela mecanização 

No fim da idade média começou o processo de crescimento no mercado comercial capitalista, no qual se viu necessário um tipo de produção em maior escala para suprir a necessidade dos clientes, antes da criação das máquinas a vapor os produtos que eram comercializados eram feitos de forma artesanal por diversos funcionários e esse período foi indispensável para que no futuro houvesse a primeira revolução industrial.

Com esse novo ramo que foi surgindo na economia, logo nasceu uma rivalidade entre os comerciantes, cada um querendo lucrar mais que o outro, então eles começaram a notar que precisavam inovar e deixar seus produtos únicos para conseguir chamar a atenção dos clientes. No século XVI, os designers pensando em atender essa demanda de inovação nos produtos, começaram a utilizar o livro de padrões que era um livro contendo várias gravuras contendo informações úteis que poderiam ser usadas como referências na hora de projetar uma nova mercadoria.

Luís XVI, também conhecido como o rei do sol, foi um grande patrocinador dos artistas e dos artesãos desse época, um de seus artistas era Charles Le Brun (1619-1690) que foi considerado um prodígio, ele foi um dos responsáveis pela criação de diversos artigos para o rei que de tão adornados que eram seria difícil considerar um objeto para ser utilizado no dia a dia.

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Figura 1: Charles Le Brun
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Figura 2: Le Roy Louis XIV visitant les Manufactures des Gobelins

Já na Inglaterra o design diferente, pois em comparação com os outros lugares, a Inglaterra no século XVIII tinha uma economia liberal voltado para o lucro privado e então a maioria dos nomes de destaque do design de produto nesse período eram de empresários e não de artesãos ou artistas como se via na França, alguns exemplos são: Chippendale, Wedgwood e Boulton. “como Eric Hobsbawm afirmou com muita propriedade,”o dinheiro não só falava como governava” (HESKETT,1998, pg.13).

Nesse tempo o mercado de bugiganga era bastante popular e ele teve um grande avanço graças às ideias de Matthew Boulton (1728-1806), após herdar a loja do pai Boulton, tentando enfrentar a concorrência, criou um método de produção que poderia operar em maior escala fazendo uso da mecanização e com isso, conseguiu vender produtos de valor menor que sua concorrência. Apesar de artigos de moda como fivelas, botões e entre outros, ainda serem os mais produzidos, isso não impediu Boulton de expandir para outras áreas. Em resumo, esse empresário sempre estava tentando inovar e trazer produtos que agradassem os clientes, fazendo um equilíbrio entre artigos produzidos em massa e as habilidades artísticas e artesanais. “o mercado de bom gosto exigia grande variedade de opções; e, como os artigos de Boulton também eram vendidos internacionalmente, uma atenção especial foi dada às diferentes necessidades e variações de gostos em mercados específicos” (HESKETT,1998, pg.14). 

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Figura 3: Matthew Boulton
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Figura 4: Josiah Wedgwood
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Figura 5: Caricatura de Henry Cole
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Figura 6: Gottfried Semper

Pode-se perceber que nessa época a mecanização começou a ser mais presente no comércio, porém apesar disso, o design ainda era um fator essencial nessa combinação e as habilidades individuais de cada um continuavam sendo fundamentais para o sucesso no mercado comercial.

Josiah Wedgwood (1730-1795) foi um empresário do ramo de cerâmica e ele ficou bastante conhecido pela sua pesquisa em materiais que poderiam ser usados em produção de artefatos e também, pela sua visão no mundo dos negócios ele viu um mercado em potencial e soube explorá-lo, um de suas maiores conquistas foi a criação de uma louça chamada louça da rainha, “Wedgwood descreveu-a como uma “cerâmica para a mesa, de aspecto bastante novo…fabricada com facilidade e rapidez e consequentemente barata”’(HESKETT,1998, pg.17). Além disso, querendo expandir seus negócios ele viu que era inviável a pintura a mão de todos os produtos então ele começou a  utilizar um molde nessa parte da fabricação e desse modo, ele começou a padronizar e mecanizar suas cerâmicas. Portanto, Boulton e Wedgwood foram os pioneiros em processos de produção que no futuro seriam bastante utilizados com o aumento da industrialização.

No século XIX se deu início a primeira revolução industrial na Inglaterra, agora ocorreria uma grande mudança em vários aspectos. “idéia do novo, do progresso, se disseminava pela Europa, que buscava pôr em prática novas invenções que se adequassem ao ritmo do cotidiano alucinante imposto pela nova ordem do trabalho. O tempo tornou-se ainda mais valioso para aqueles que almejavam ganhar dinheiro, de modo que cada minuto deveria ser minuciosamente aproveitado” (Oliveira, 2003, pg.84).

Com a revolução industrial muitas mudanças vieram uma delas foi a demanda constante e a popularização dos artigos que antes pertenciam a alta classe social, isso levou a várias camadas populares utilizarem antigos que antes apenas a alta classe tinha acesso e tudo isso, levou a um exagero de decorações. Vendo como se tornou popular os produtos, os fabricantes começaram a tentar adornar qualquer produto para agradar os compradores tendo como consequência um abismo entre o estilo e a função e a falta de designers realmente capacitados para o trabalho não ajudou nessa situação e como resultado de tudo isso, as críticas também foram bastante fortes a esse novo modelo. 

Um de seus maiores críticos foi John Ruskin (1819-1900), ele se tornou bastante popular por rejeitar completamente os produtos que eram produzidos pela indústria para ele não se deveria acrescentar valor artístico ou estético a produção industrial, ele apreciava o modelo de produção da idade média que continha pela forma artesanal de fabricação. Mas, Ruskin não foi o único que abordou esse tema o educador Henry Cole (1808-1882), ele ficou bastante conhecido por reconhecer a importância de se combinar a arte e a indústria, para ele e seus colegas do journal of design, que foi uma revista criada com o objetivo de melhorar os padrões da indústria, era possível unir o artístico e o comercial, Cole acreditava tanto nisso que criou uma exibição que demonstraria a arte aplicada na indústria. “A raiz do problema foi corretamente identificada com a separação do design dos processos de produção” (HESKETT,1998, pg.21).

Outro nome que também falou sobre a arte e a indústria foi Gottfried Semper (1808-1879), ele reconhecia que a industrialização iria acontecer e não tinha como ser impedida e para ele a agora o importante é saber conciliar a arte com a indústria e para fazer isso na opinião dele era preciso a criação de uma nova arte que tinha como base a aceitação da mecanização, pois para ele a arte do passado não conseguia se encaixar nessa nova era que estava sendo vivida e era necessário uma arte que sim conseguisse se encaixar.

Referências:

-HESKETT, John. Desenho Industrial. Brasília: José Olympio, 1998

-OLIVEIRA, Elisângela Magela. Transformações no mundo do trabalho, da revolução industrial aos nossos dias. Minas Gerais, 2003

-Charles Le Brun 1619-1690. Château de Versailles,2016. Disponível em: https://en.chateauversailles.fr/discover/history/great-characters/charles-brun

Ficha Técnica: 

Texto desenvolvido por Luana de Carvalho Alves para a disciplina Introdução ao Estudo do Design - Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Departamento de Design - Fevereiro de 2022. O texto colabora com o projeto de extensão “Blog Estudos sobre Design”, coordenado pelo Prof. Rodrigo Boufleur (http://estudossobredesign.blogspot.com).

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